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Longa Metragem “Murmúrios do paraíso” / "Whispers of Paradise"
Sinopse
Verão de 1680. Uma rebelião dos índios algonquins e uma epidemia de febre amarela devastam Nova York. Durante um funeral no cemitério judaico, Raquel (aos 40 anos) descobre entre um grupo de prisioneiros algonquins, o filho aparentemente nunca nascido de Maria e Jacob Dibuk. A descoberta provoca um flashback que faz a história retroceder ao ano de 1654, no Brasil, durante as semanas finais da guerra que os brasileiros movem em Pernambuco contra os invasores holandeses.
Raquel tem 11 anos na época. Aos cinco, fora morar na fazenda do Major Costa Aguiar, usineiro pernambucano por quem sua mãe se apaixonara, abandonando o marido Abraham, ourives em Recife. Com a morte da mãe, Raquel foi criada como cristã por Maria, a bela sobrinha do Major. No início do flashback, a fazenda é atacada pelos índios tapuias comandados por Jacob, que aprisiona Raquel e Maria. As duas são levadas até uma aldeia indígena no litoral, onde Jacob negocia com De la Motte (comandante do barco caribenho Sainte Catherine), os escravos negros capturados na fazenda. Maria salva da morte Richelieu, o cão de De la Motte, que a batiza de Maria Sans Peur (em português, Maria Sem Medo). Durante um ritual de canibalismo, os tapuias devoram um prisioneiro português. Sedenta por vingança, Maria jura fazer o mesmo com Jacob: seduzi-lo, matá-lo e come-lo.
Tropas brasileiras atacam a aldeia e massacram os tapuias, mas Jacob e seu escravo Simão conseguem fugir para Recife, levando Maria e Raquel. O grupo se aloja na hospedaria da viúva Judite, namorada ocasional de Jacob. Nessa ocasião Maria conhece Benjamim, filho de Judite, que virá a ser seu melhor amigo e futuro marido. Fiel à promessa de vingança, Maria tenta seduzir Jacob. Porém, ao testemunhar acidentalmente um assassinato, muda de plano e o acusa da autoria do crime, cometido de fato pelo coronel holandês Nicolas Verlett com a intenção de roubar a fortuna acumulada por Jacob em suas pilhagens pelo interior de Pernambuco, fortuna essa destinada em partes iguais à Companhia das Índias Ocidentais e ao movimento judaico. Perseguido tanto por judeus como pela polícia holandesa, Jacob é auxiliado pelo rabino Isaac Aboab, que o esconde na sinagoga de Recife. Rejeitada como filha por Abraham, Raquel é internada no orfanato judeu. Maria, por sua vez, é enganada pelo coronel Verlett, que a conduz à força para a Holanda, transformada em amante. Raquel sofre em silêncio, separada de Maria e perdida entre pessoas que usam costumes estranhos, professam uma religião de infiéis e a tratam com indiferença.
O exército brasileiro do general Francisco Barreto ocupa Recife, criando uma situação angustiante para os mais de mil judeus da cidade, que temem perder a liberdade religiosa até então permitida pelo tolerante governo holandês. Vinte judeus liderados pelo açougueiro Asser Levy embarcam num navio rumo à Holanda, na companhia de vários calvinistas e de Jacob, oculto no porão graças ao suborno pago por Judite ao capitão do navio. Raquel também embarca, depois que o rabino Aboab convence Abraham a levá-la junto. Durante a viagem, ignorada pelo pai, maltratada pela madrasta Sara e hostilizada pelas outras crianças, ela só encontra conforto na companhia de Benjamin. No entanto, quando ocorre um conflito entre judeus e calvinistas, é Raquel quem apazigua (involuntariamente) os ânimos ao tocar sua flauta, unindo os dois grupos numa manifestação de ecumenismo. O incidente marca o início de sua reinserção na comunidade judaica.
Uma tempestade tira o navio da rota e o desvia para o Caribe, onde é abordado pelos espanhóis e levado para a Jamaica. Dom Inácio Platero, o cínico governador local, confina os judeus num armazém, imagem que remete à perseguição nazista do século 20. Pela sua própria condição de clandestino, Jacob consegue escapar. Acolhido pela tripulação de um navio inglês, vai para a colônia holandesa de Nova Amsterdam e começa a trabalhar negociando peles de castor com os índios algonquins. Meses depois, os judeus são liberados, deixam a Jamaica no barco de De la Motte e também seguem para Nova Amsterdam, onde são recebidos com hostilidade pelo anti-semita governador Peter Stuyvesant, que confisca seus bens. Jacob tenta intervir, é preso, libertado por interferência de De la Motte e volta a comerciar peles com os algonquins, dos quais se torna amigo. Os judeus tentam se adaptar à nova terra, mas Stuyvesant escreve à Companhia das Índias Ocidentais pedindo autorização para expulsá-los. Asser Levy escreve aos acionistas judeus da Companhia pedindo apoio. Pressionada, a Companhia autoriza a permanência do grupo.

Enquanto isso, na Holanda, o Coronel Verlett perde no jogo a fortuna roubada e se casa por interesse com a feiosa irmã do governador Stuyvesant, mudando-se com ela e Maria para Nova Amsterdam, onde Maria reencontra Raquel, que, apesar de já estar se aceitando como judia, continua sofrendo nas mãos da madrasta. Reencontra também Jacob, porém os dois não se entendem. Para afirmar sua cidadania, os judeus decidem ingressar na milícia local. Impedidos por Stuyvesant recorrem ao Conselho Municipal e depois de uma empolgante batalha judicial, obtém permissão para se alistarem, numa cena que antecipa o caráter tolerante e multirracial da Nova York futura. Maria é espancada por Verlett e foge com Raquel para o interior, escondida na canoa de Jacob. Ao descobri-las, ele quer levá-las de volta, mas Maria o convence do contrário. Os três passam o inverno em uma aldeia algonquim, ocasião em que Maria fica perturbada ao descobrir que está apaixonada pelo homem que odeia. Os dois se reconciliam e vivem um período de idílio em contacto com a natureza.
Com a chegada da primavera, Jacob e Maria decidem que Raquel deve voltar para a casa do pai. A caminho de Nova Amsterdam, param na fazenda do holandês Van Dick, onde trabalha um dos judeus vindo de Recife, o traiçoeiro Moses Lumbroso, inimigo de Jacob. Lumbroso surpreende uma indiazinha roubando pêssegos e a mata. O pai da menina é Hehaka Sapa, cacique dos iroqueses, que usa a morte da filha como pretexto para desencadear a histórica “Guerra dos Pêssegos”. Prevendo a reação sangrenta dos iroqueses, Jacob deixa Maria e Raquel na fazenda e vai alertar Nova Amsterdam. Lumbroso o denuncia e ele é preso pelo coronel Verlett.
Aproveitando a ausência do governador Stuveysant, que levara o exército para lutar contra os suecos no Delaware, os iroqueses preparam-se para atacar a cidade. A mulher de Stuyvesant decide fugir pelo rio Hudson no barco de De la Motte e manda libertar Jacob para que ele e os milicianos judeus sirvam-lhe de escolta. O navio encalha e todos se refugiam na fazenda de Van Dick. Os iroqueses atacam o lugar durante três dias. No intervalo dos combates, De la Motte e a Senhora Stuyvesant vivem uma paixão platônica, Maria descobre que está grávida e Abraham, ferido, finalmente aceita Raquel como filha. A situação, entretanto, é muito grave. Quando não há mais esperança de salvação, Jacob concebe um estratagema e consegue matar Hehaka Sapa usando uma zarabatana com curare, veneno mortal que ele trouxera do Brasil. A luta termina, mas não para Jacob, pois seu inimigo Verlett aparece na fazenda liderando uma tropa da milícia. Jacob e Maria escondem-se em um moinho. Guiado por Lumbroso, Verlett os descobre e atira em Jacob, sendo morto por Maria, que por sua vez leva um tiro disparado por Lumbroso. Aparentemente mortos, Jacob e Maria são salvos por seus amigos algonquins e vão viver com eles. Raquel, todavia, desconhece esse fato e acredita que eles morreram.
A ação retorna a 1680 e ao cemitério judaico. A cidade já passou ao domínio inglês e se chama Nova York. Raquel, casada com Benjamin, encontra o filho de Maria e Jacob e fica sabendo do destino deles. O roteiro é fechado com lirismo e uma certa dose de humor.
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